A baixa imunidade é uma queixa constante em nossa clínica. Muitas vezes costumamos ver pacientes, principalmente pais e mães, relatando que seus filhos ficam doentes com frequência, e relatam baixa imunidade.
Não faltam por aí opções para “aumentar a imunidade”. Uma busca rápida na internet vai oferecer remédios, chás, alimentos e até suplementos vitamínicos. No entanto, essas receitas oferecem riscos aos pacientes.
O que é a imunodeficiência (erro inato da imunidade)
A imunodeficiência, ou erro inato da imunidade, é uma condição em que o sistema imunológico, responsável por proteger o corpo contra infecções e doenças, não funciona de forma eficaz. Isso pode ocorrer de diferentes maneiras, seja por uma falha no sistema imunológico que dificulta sua capacidade de reconhecer e combater agentes invasores, como bactérias, vírus e fungos, ou por uma resposta imune insuficiente diante dessas ameaças. Existem dois tipos principais de imunodeficiência:
- Imunodeficiência primária (congênita): Causada por defeitos genéticos, ela está presente desde o nascimento e afeta a produção ou funcionamento das células do sistema imunológico.
- Imunodeficiência secundária (adquirida): Desenvolve-se ao longo da vida, geralmente devido a doenças (como HIV/AIDS) ou tratamentos (como quimioterapia) que enfraquecem o sistema imunológico.
Outra condição relacionada é a imunossupressão. Diferente da imunodeficiência, que ocorre de forma involuntária, a imunossupressão envolve o enfraquecimento intencional do sistema imunológico, geralmente por meio de medicamentos, com o objetivo de tratar doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, ou evitar a rejeição em transplantes de órgãos.
Vale ressaltar que a imunodeficiência é uma condição relativamente rara, que geralmente surge a partir de fatores genéticos, doenças graves ou tratamentos que comprometem o sistema imunológico.
Existe exame para a imunidade?
Não há recomendação de realizar exames para avaliar a imunidade. O que existem são exames que avaliam imunodeficiências — condições específicas em que o sistema imunológico não funciona adequadamente.
Quando o médico tem a suspeita de imunodeficiência, podem ser feitos exames de sangue para identificar uma doença em particular. Não está indicado realizar exames para avaliar sistema imunológico quando não existe suspeita clínica de imunodeficiência por parte do seu médico.
É comum encontrar conteúdos na internet sobre exames e métodos que prometem medir a imunidade do paciente, mas isso não tem respaldo científico. A medicina consegue investigar e diagnosticar imunodeficiências específicas, mas apenas quando há sinais clínicos que justifiquem essa suspeita.
Como melhorar minha imunidade?
Assim como não existe “imunidade baixa”, também não é correto falar sobre “imunidade alta”. Porém, adotar hábitos que favorecem o equilíbrio do organismo e ajudam o sistema imunológico a funcionar bem é recomendado. Manter uma alimentação saudável, praticar exercícios regularmente e ter uma rotina adequada de sono contribuem para o bom funcionamento do corpo e para que o organismo responda melhor a infecções como gripes e resfriados.
Outro mito frequente é sobre o consumo de vitaminas para fortalecer a imunidade. A suplementação pode ser necessária em alguns casos, mas deve ser feita somente com orientação de um médico especialista. Alguns nutrientes em excesso representam um risco ao organismo.
A vacinação também é uma aliada importante: ao manter o calendário vacinal em dia, o sistema imunológico fica preparado para reagir a vírus e doenças sazonais com mais eficiência.
Em caso de dúvidas ou queixas, consulte um especialista de sua confiança.
